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  • v. 24 n. 2 (2021)

    Prezados leitores,

     

    O direcionamento da Revista Contabilidade Gestão e Governança orienta-se pela disseminação do conhecimento nos campos da contabilidade, governança e gestão, resultantes de pesquisas e textos acadêmicos aprofundados. O intuito de compartilhar e difundir o conhecimento no meio acadêmico torna o periódico um instrumento importante de acesso para pesquisadores dos campos mencionados.

    Neste editorial nos preocupamos em apresentar uma forma para auxiliar os pesquisadores menos experientes a entender o processo de elaboração de artigos e como nosso periódico os recebe. Nossa preocupação se dá especialmente porque parte da comunicação científica tem por princípio a elaboração de uma redação científica publicável, que não se trata apenas como uma questão de forma, mas sua finalização é o reflexo da organização do pensamento.

    Observamos que muitos artigos têm sido reprovados, porque não atendem ao escopo da linha editorial, ou muitas vezes autores não acessam a declaração de escopo do periódico. E esta é a primeira tarefa para quem elabora um artigo e deseja publicar em periódicos indexados e de boa qualidade.

    Ao cumprir essas etapas chegou a hora de preparar o texto. Muito se tem publicado sobre as qualidades de um bom texto acadêmico e aqui pedimos licença para recomendar Pereira (2017: 22)[i] que sugere:Uma orientação que merece atenção trata-se dos guias que facilitam a redação do texto. Aqui apresentamos a sugestão para os autores pouco experientes: procurem conhecer os números anteriores que foram publicados pelo periódico. Desta forma, poderão avaliar criticamente o que os editores e ou/avaliadores esperam encontrar no seu texto.

    1. O texto deve ser claro, para que os editores e ou avaliadores entendam a sua proposição;
    2. O texto deve ser conciso, ou seja, deve ser produzido com tópicos e seções essenciais para não desperdiçar o tempo dos editores e ou avaliadores e o espaço do periódico;
    3. O texto deve apresentar exatidão com observância rigorosa em relação ao conteúdo teórico-metodológico;
    4. O documento produzido precisa apresentar uma sequência lógica dos argumentos e fatos que assegurem o interesse pela leitura dos editores, avaliadores e leitores;
    5. Um texto elegante atrai e mantém a atenção dos editores, avaliadores e leitores, ou seja, deve ser elaborado de forma gramatical e adequada com vocabulário variado e adequado.

    Entendemos que, desta forma, demos o primeiro passo para encorajar nossos pesquisadores menos experientes na elaboração do seu texto acadêmico. Certamente não se trata de um check list, mas é uma primeira tarefa e importante de ser observada. 

    Neste Fascículo 2/2021, vários artigos passaram pela avaliação e decidimos publicar 6 neste momento.

    No primeiro artigo dessa edição, na seção Gestão e Contabilidade de Empresas Privadas e do Terceiro Setor, o maquiavelismo é o ponto central. Intitulado de “Maquiavelismo na Criação de Folga Orçamentária” os autores trazem evidências acerca do comportamento maquiavélico e a geração de folga orçamentária. Os resultados, a partir da amostra utilizada, apontam que os indivíduos apesar de criarem folgas orçamentárias, estes reagem de formas diferentes aos estímulos relacionados ao afeto negativo imposto pela ameaça de punição como estímulo ambiental.

    No segundo artigo as autoras promovem uma discussão acerca do value relevance dos ativos intangíveis no contexto de combinação de negócios. Intitulado de Value Relevance dos Ativos Intangíveis Reconhecidos em uma Combinação de Negócios” de início chama a atenção a representatividade do valor do goodwill quando comparado ao total dos ativos intangíveis (entre 23% a 30%). Adicionalmente, o estudo apresenta evidências de value relevance dessa informação em relação ao valor de mercado das empresas, seja de forma agregada (ativos intangíveis) ou não (somente goodwill), o que contribui para a compreensão das informações contábeis que agregam valor na precificação do negócio.

    Em mais um estudo que contribui na área de mercado financeiro os autores do texto “O Desafio de Determinar o WACC dos Operadores de Serviços de Transmissão de Energia: O caso brasileiro”, realizam uma discussão quanto aos procedimentos teórico-empíricos para se aferir o custo de capital nesse relevante setor econômico. Apresentam como considerações, ao agente regulador, a necessidade de se levar em consideração cinco aspectos na determinação do WACC de modo a refletir melhor as condições do mercado brasileiro.

    Na seção Gestão e Contabilidade Pública, nossa primeira seleção é o artigo “Ação Empreendedora no Setor Público: o “pós-compra” de uma universidade pública de Minas Gerais” faz a discussão acerca de uma ação empreendedora por meio da criação do setor de “pós-compra”. Trabalharam os autores numa perspectiva qualitativa, que nos apresentam evidências de que a implantação do setor de “pós-compra” resulta na melhoria da execução orçamentária e maior eficiência. Princípios esses relevantes que levam à economicidade, legalidade e eficiência na Administração Pública.

    Em mais um estudo que busca compreender o comportamento humano, os autores do artigo “A Influência do Autoengano na Prática da Evasão Fiscal no Brasil”, apresentam resultados que podem contribuir para a Administração Pública na elaboração de mecanismos que desestimulem a sonegação, pois apresentam evidências de que os indivíduos se utilizam de argumentos de autoengano, como “o pagamento de impostos não gera o retorno esperado dos serviços públicos” para justificar a sonegação tributária.

    Por fim, os resultados do estudo contidos no paperCiclos político eleitorais: há influência das eleições municipais sobre a execução orçamentária dos municípios mineiros?”, sugerem que os gastos públicos, especialmente em períodos eleitorais, são realizados sem que necessariamente venham a considerar as reais necessidades da sociedade de modo a reduzir as desigualdades sociais. Os autores trabalharam com uma análise de 500 municípios mineiros, considerando que existem evidências de que há um aumento nos gastos quando se compara com os gastos dos anos pré-eleitorais no caso da saúde, educação e obras.

    Esperamos que os textos selecionados para este fascículo possam inspirar os pesquisadores menos experientes e também os mais experientes a construírem o processo de produção de texto acadêmico levando em conta os ensinamentos e as diversas etapas que apresentamos. Em todos os artigos contidos aqui, seus autores lidaram adequadamente com o processo de inúmeras revisões e com as diversas dicas dos editores.

    Finalmente e não menos importante, agradecemos a todos os autores, avaliadores, editores. Sem a confiança que todos têm depositado em nosso periódico, esse fascículo não seria possível.  Esperamos que o leitor aprecie, critique, e principalmente una-se a nós no esforço de socializar e disseminar o conhecimento produzido e apresentado aqui.

     

     

    Os editores,

    Rodrigo de Souza Gonçalves

    Andrea de Oliveira Gonçalves


    [i] Pereira, Maurício Gomes. Artigos Científicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.

  • v. 24 n. 1 (2021)

    Prezados leitores,

     

    Em 2020, uma nova epidemia difundiu-se no mundo e, em poucos meses, o cotidiano de todos transformou-se em uma tragédia sem precedentes. Mesmo assim, avançamos incansavelmente rumo à produção e à divulgação do conhecimento. Fruto desse esforço, apresentamos à comunidade nosso primeiro fascículo em 2021, no qual contemplamos uma seleção de trabalhos que demonstram a relevância do conhecimento  no campo da contabilidade e da administração. Aqui, privilegiamos os artigos que demonstram aprofundada discussão acerca de mercado financeiro, governança e formação discente.

    Cada artigo apresenta as mais diversas contribuições para o campo e renova nosso ânimo ao apontar evidências e avanços, na perspectiva da contabilidade, da gestão e da governança.

    No primeiro artigo que inaugura as reflexões, os autores procuram discutir como o contexto econômico afeta a relação entre a governança corporativa e a volatilidade das ações no mercado financeiro. A análise é feita no âmbito do artigo “Evidenciação do Contexto Econômico na Relação entre Governança Corporativa e Volatilidade das Ações nas Companhias Abertas Brasileiras”. Particularmente, esse artigo aponta que a governança corporativa e seus mecanismos internos, quando analisados em conjunto com o Produto Interno Produto, são elementos que contribuem para a ocorrência de menor volatilidade das ações em empresas brasileiras listadas na B3.

    No contexto do artigo “O Impacto dos Recursos Financeiros do BNDES no Valor de Mercado nas Companhias Listadas na B3”, os autores sugerem que os resultados da pesquisa podem contribuir para a elaboração de uma política eficiente de financiamento às empresas brasileiras, haja vista a significativa atuação do BNDES em determinados segmentos do empresariado brasileiro. Os resultados analisados pela amostra demonstram que empresas que captaram recursos com taxa subsidiada pelo BNDES não apresentaram aumento de valor de mercado, trazendo à luz a política de alocação de recursos subsidiados pela sociedade e sua real efetividade quanto à agregação de valor e à geração de riqueza.

    Outro artigo também preocupado com o mercado de capitais no Brasil, cujo tema está voltado para a “Política de Dividendos e Períodos de Recessão: Evidências no Mercado de Capitais Brasileiro”, aponta que, em períodos de baixo crescimento econômico, há maior distribuição de dividendos, comportamento esse que busca trazer aos investidores uma sinalização para a redução da assimetria e da incerteza em momentos de maior volatilidade na atividade econômica.

    No contexto da governança, que estimula um sistema de gestão de excelência com políticas alinhadas, cada vez mais, ao propósito organizacional, destacam-se outros esforços de autores neste fascículo. Aqui, observa-se o intuito dos autores de delinear, de forma objetiva, os contornos desse conceito, que promove a transformação nas organizações a partir da complexidade do tema tratado.

    Temos, portanto, um trio de artigos que trazem uma discussão ampliada acerca de instrumentos e boas práticas. O primeiro deles, “Governança Corporativa e Rentabilidade dos Planos de Entidades Fechadas de Previdência Complementar”, apresenta evidências da não relação entre a rentabilidade obtida pelos investimentos realizados pelos Fundos e a adoção de boas práticas de governança corporativa. A despeito dos resultados, os autores advertem que esses devem ser vistos com parcimônia, dada a necessidade de melhorias das referidas práticas que assegurem maior efetividade das ações internas no segmento analisado.

    O artigo “Antecedentes do Sistema de Controle Gerencial em Cooperativas de Crédito da Região Sul do Brasil” demonstra que as alavancas de controle, quando utilizadas de forma balanceada, convertem-se em relevante instrumento na promoção da renovação estratégica das cooperativas de créditos, sobretudo quanto à redução da incerteza.

    Por sua vez, o artigo “Impacto das Emendas à IAS 16 e à IAS 41 na Posição Econômico-Financeira das Empresas Sucroenergéticas Brasileiras” demonstra que as alterações promovidas nos mencionados dispositivos trouxeram prejuízos à comparabilidade das informações contábeis das empresas analisadas, o que exige maior atenção dos usuários quanto a seu uso no processo de tomada de decisão relativo ao período de transição da norma (de 2015 a 2017).

    Em relação à discussão da governança global, apresentamos o artigo “Países mais Transparentes são mais Democráticos?”, que traz resultados relevantes acerca da existência da relação entre transparência fiscal e grau de democracia, em uma amostra de diversos países. Destaque-se que, sob a perspectiva dos autores e das evidências empíricas, a transparência fiscal fornece subsídios ao exercício do controle social, estimulando o amadurecimento da democracia, o que tende a se tornar um ciclo de prestação de contas e controle, que possibilita a promoção da accountability.

    Por fim, retomamos e aprofundamos o debate sobre motivação e estresse no processo de formação de discentes. No artigo “Relação entre Motivação Acadêmica e Estresse Percebido”, apresentam-se evidências da relação entre estresse e desmotivação acadêmica, mais preponderante em estudantes do gênero feminino. Nesta discussão, os autores sugerem a necessidade de acompanhamento dos/das estudantes no processo de formação. É, de fato, uma oportunidade de reflexão que estimula e aprofunda o papel docente no sentido de ser agente transformador no processo de formação.

    No conjunto de artigos aqui apresentados, considerou-se a superação de mais um desafio: dar continuidade à divulgação do conhecimento científico, com saldo positivo e acervo variado. Claramente, há sempre espaço para melhorias, razão pela qual as sugestões dos leitores continuarão sendo sempre bem-vindas.

    Temos, portanto, uma diversidade teórica e uma riqueza de temáticas. Com isso, nós, editores da Revista CGG, esperamos que os nossos leitores tenham uma excelente e proveitosa leitura!

     

    Os novos editores, a partir de 2021,

    Rodrigo de Souza Gonçalves

    Andrea de Oliveira Gonçalves

  • v. 23 n. 3 (2020)

    Prezados leitores,

     

     

    Com muito prazer que lançamos a última edição do ano da revista CGG (JAMG). Recentemente, a plataforma de conteúdo científico Red Iberoamericana de Innovacíon y Conocimiento Científico (Redib) nos classificou com pontuação de 13,045, sendo a melhor pontuação para uma revista de contabilidade do Brasil e a segunda incluindo as áreas de administração e contabilidade. Além disso, o fato de impacto FI = 0,48 (últimos cinco anos sem autocitação) e fator H Spell = 11 publicado pela SPELL da Associação Nacional de Pós-Graduação em Administração (ANPAD) no ano de 2020, colocou a revista CGG mais na frente do ranking. Tendo em vista essas conquistas, a Revista CGG figura entre as principais na área no Brasil. A Revista CGG passou por mudança de prefixo DOI. Essa mudança propiciará maior estabilidade para os registros do artigo.

    O volume 23, número 3, da revista CGG (JAMG) traz oito artigos. Nesta edição, seis artigos publicados são da área de Gestão e Contabilidade de Empresas Privadas & do Terceiro Setor e dois da área de Gestão e Contabilidade Pública. Parabenizamos os autores e esperamos que os leitores possam usufruir do conteúdo produzido.

     

    Boa leitura!